É o sinistro mais frustrante que existe: a empresa tem apólice válida, o risco está coberto, o prémio foi sempre pago e a indemnização chega reduzida a metade. A causa tem nome técnico: regra proporcional.
Como funciona
Se o capital seguro for inferior ao valor real do bem, a seguradora indemniza na mesma proporção. Um armazém que custaria 1.000.000 € a reconstruir, seguro por 500.000 €, está seguro a 50 %. Num sinistro parcial de 200.000 €, a indemnização será de cerca de 100.000 €, deduzida a franquia. A apólice funcionou exatamente como foi contratada: o problema esteve sempre no capital.
Porque é que os capitais ficam desatualizados
- Utilização do valor contabilístico líquido em vez do valor de reconstrução ou de reposição a novo.
- Obras de ampliação e novos equipamentos nunca comunicados à seguradora.
- Aumento dos custos de construção e de materiais sem atualização da apólice.
- Crescimento das existências sem revisão do capital de mercadoria.
Como corrigir
Avalie o edifício pelo custo de reconstrução, não pelo valor de mercado, que inclui o terreno. Avalie equipamento pelo custo de comprar hoje um bem equivalente novo. Reveja existências pelo valor médio real, com atenção aos picos sazonais. Negoceie a cláusula de atualização automática de capitais e, quando disponível, a dispensa de regra proporcional até determinada percentagem de desvio.
Não esquecer as perdas de exploração
Reconstruir o armazém demora meses. Durante esse período há salários, rendas, encargos financeiros e clientes que não podem esperar. A cobertura de perdas de exploração, dimensionada pela margem bruta anual e por um período de indemnização realista, é, na maioria dos casos, mais determinante para a sobrevivência da empresa do que o capital do próprio edifício.



