A maioria das empresas portuguesas contrata seguros por acumulação histórica: um seguro porque o banco exigiu, outro porque um cliente pediu, um terceiro porque a lei obriga. O resultado é previsível: coberturas sobrepostas em riscos pequenos e ausência total de proteção nos riscos que podem realmente fechar a empresa.
A gestão de risco inverte esta lógica. Parte da pergunta certa: o que é que, se acontecesse amanhã, poria este negócio em causa?
1. Identificar o que pode correr mal
Reúna a gestão, a produção, o financeiro e as pessoas que estão no terreno. Liste, sem filtrar, tudo o que pode interromper a atividade: incêndio, avaria de um equipamento crítico, morte de uma pessoa determinante, ataque informático, acidente grave, reclamação de um cliente, perda de uma licença.
2. Quantificar frequência e severidade
Cada risco tem duas dimensões: a probabilidade de ocorrer e o impacto financeiro se ocorrer. Um risco frequente e de baixo impacto gere-se internamente, com prevenção e franquia. Um risco raro mas de impacto catastrófico transfere-se para o mercado segurador. A maior parte dos erros de contratação nasce da confusão entre estes dois tipos.
3. Decidir o que fazer com cada risco
- Eliminar: deixar de executar a atividade que gera o risco.
- Reduzir: prevenção, formação, sistemas de deteção, redundância.
- Reter: assumir conscientemente, com franquias mais elevadas e prémio menor.
- Transferir: contrato de seguro ou garantia.
4. Dimensionar corretamente os capitais
Este é o ponto onde falham mais programas de seguros. Um capital desajustado transforma uma apólice válida numa indemnização parcial: a regra proporcional reduz a indemnização na mesma proporção em que o capital está subavaliado. Reveja os capitais com base no valor de reconstrução do edifício e no valor de reposição a novo dos equipamentos, nunca no valor contabilístico líquido.
5. Rever todos os anos
Uma empresa que cresce 30 % mantém frequentemente os capitais de há cinco anos. A revisão anual não serve para renegociar prémio: serve para garantir que a apólice ainda corresponde à empresa que existe hoje.
Um programa de seguros bem construído não é o mais barato nem o mais completo: é aquele em que os riscos que podem fechar a empresa estão integralmente transferidos.



